terça-feira, 25 de abril de 2017

A casa da Nana

 
A Nana , Mariana de seu nome, conheceu-me antes de eu própria me conhecer a mim ou a Porto Covo, terra que a viu nascer.
A segunda mais velha de dez irmãos, filha de pescadores, vivia numa casa que eu, ainda muito miúda, chamava a casa do papão: era uma casa de terra batita, onde os "quartos" tinham como separação uns dos outros lençóis brancos pendurados em cordas.
Como era das mais velhas, foi muito nova tomar conta de uma avó cega, porque a mãe só gostava dos filhos homens.
 
Quando eu nasci, a Nana veio para casa dos meus pais "servir", e ajudar a minha mãe. Os meus pais incentivaram-na a estudar, tirou o curso de enfermagem e depois de psicologia. Trabalhou no IPO, chefiou uma creche, até que resolveu já depois de reformada ir viver para Porto Covo, e comprar esta casa mesmo em cima da baía.
De vez em quando, quando eu passava, lá estava ela a regar as flores, a dar de comer aos gatos e aos cães, e ela carinhosamente dizia: Então Nani, como está? E as meninas? Neste verão pude dizer-lhe que já tinha um neto, o Guilherme. Que bom, disse ela.
E sempre com o sorriso de muito carinho que eu sei que sempre teve por mim.
 
Um destes dias qualquer coisa me fez desenhar a casa. Sentada nas pedras do porto de abrigo, ao fim do dia, uma temperatura tão boa, uma luz tão bonita do entardecer. Estranhei não ver nem ouvir cães ou gatos, estava tudo fechado. Pensei, talvez tenha ido a Lisboa ao médico.
Vim a saber que nesse dia fazia um mês que tinha falecido.
 
Por vezes é difícil sabermos porque decidimos desenhar, o que nos motiva, o que nos faz querer parar o tempo. Até porque eu acredito que desenhar pode ser uma forma de amor.
 
Nana, sinto saudades suas...
 
 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Shibuya

 
É nesta zona de Tóquio que existe um local onde várias passadeiras de peões se cruzam, e é impressionante e famoso o trânsito pedonal em horas de ponta! O meu ângulo de visão só me permitia observar as formas e o colorido dos edifícios ao entardecer...
 

domingo, 2 de abril de 2017

a almoçar tempura em Tóquio


É sabido que foram os portugueses que levaram a receita do polme que reveste os alimentos antes da fritura e a que os japoneses chamam de "tempura".
Era "fora de mão" este restaurante que nos fora recomendado, mas lá fomos nós à procura e felizmente conseguimos encontrar.
Depois do almoço, com o senhor ali mesmo ao lado na cozinha, ficámos um bocado a cheirar a fritos, mas foi por uma boa causa!



quinta-feira, 30 de março de 2017

Meiji Jingu Garden

De volta a Tóquio.
Um passeio pelo Meiji Jingu Garden que tem no interior um templo xintoísta, uma das principais religiões do Japão.
Muito bonita a escala dos pórticos, com alturas e acabamentos diferentes. Muito bonitos os verdes, a calma daquele lugar!
 

 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Kyoto, os Pagodes...

 
Bonitos os pagodes de várias alturas, grandes, pequenos, coloridos e com a sua arquitectura tão característica! Ainda gostava de perceber para que serviam tantos telhados!
 
 




sábado, 18 de março de 2017

Kyoto 3


 
O Hachidaime Gihey era um dos restaurantes recomendados pelo amigo da Ana em Kyoto. Não se podia reservar, era por ordem de chegada. Fomos cedo, mas já estavam pelo menos umas dez pessoas em fila cá fora. Quis aproveitar o tempo e desenhar a fachada, pelo que me coloquei no lado oposto da direção da dita fila. A menina que ia controlando quem chegava, disse que eu não podia estar ali. Começou o diálogo:
-Mas eu vou desenhar! Eu sou artista (para reforçar a coisa...)
-Mas vai almoçar, a fila é ali (e apontou)
-Mas eu quero desenhar deste lado
-Mas não pode, tem que estar daquele lado (e já quase a empurrar-me...)
-Então e depois de almoçar?
-Depois já pode. Agora não porque fica em frente a uma loja e incomoda essa loja.
Socorro!, pensei...
Fui à loja que eu estava a tapar, mas ninguém falava inglês. Eu dizia: Me, artista! e nada...
Só diziam que sim com a cabeça, o que no Japão pode não querer dizer obrigatoriamente sim..
Saí, veio outra menina lá de dentro do restaurante, tentei de novo contar a história, disse que as da loja tinham dito que eu podia estar ali, ela pensou, pensou, disse que sim com a cabeça e lá consegui desenhar.
Ufa!

 

Já agora, comemos muito bem!

Continuámos pelo Parque em direcção ao Templo Nanzen-ji. Bonitos os pórticos, os detalhes, as cores, as gueishas que passeavam em grupinhos e se deixavam fotografar com os turistas.
Queria desenhar uma delas, mas entretanto começou a nevar uma neve miudinha que não impediu o nosso passeio, e até posso dizer que lhe acrescentou uma beleza especial...






quinta-feira, 16 de março de 2017

Kyoto 2

 
O Templo dourado é outro dos locais a visitar em Kyoto. E também a desenhar, mesmo com o friozinho que se fazia sentir nos meus dedos...
Dizem que é mesmo revestido a ouro!
Impõem-se na paisagem rodeado de todos os tons de verde, junto a um lago em frente ao qual os visitantes tiram fotos, selfies, e me dão alguns encontrões aos quais eu sou completamente indiferente. Porque eu me acho diferente. Eu olho, eu vejo, eu capto um momento que é só meu...

 
 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Kyoto 1


O comboio-bála partiu às 7:00 da manhã de Tóquio. Cerca de 3 horas de viagem separavam-nos de Kyoto, a antiga capital imperial.
Durante o caminho avistei o Monte Fuji, elemento da natureza tão inspirador para os japoneses e para a sua arte. Lindo com o cume coberto de neve!
Já quase a chegar a Kyoto, a neve começou a cair, reforçando o manto branco que já cobria os campos. Bonita visão!

Já na cidade, a primeira paragem no Castelo Nijo, não foi muito bem sucedida: "Closed, come tomorrow"! Pois, mas tomorrow já cá não estamos...

Um desenho feito junto ao portão de entrada, com as mãos já geladas, para começar a aquecer...


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Japão 2

A minha filha Ana tem um amigo japonês que nos deu algumas dicas sobre restaurantes em Tóquio.
Ao almoço no Nagi comemos "ramen", uma massa larga numa sopa com carne de porco e peixe seco, num restaurante minúsculo onde se pagava numa maquineta à entrada antes de comer.
Difícil caber lá dentro, e ainda mais comer e desenhar...
 
Ao jantar no Heihachi comemos enguia, que estava maravilhosa. Não falavam inglês, mas gostaram de ver os desenhos, e escreveram em japonês o nome dos pratos.
 
Entre refeições passeámos pela cidade, pela qual me fui apaixonando. O tempo estava frio mas com um sol lindo a dar ainda mais brilho ao que íamos descobrindo. Mas, como não se pode ter tudo, acabei por não desenhar...
 
 




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Japão 1


O Japão era um destino há muito tempo desejado. Finalmente surgiu uma oportunidade (ou uma desculpa...) para ir a Tóquio. O Guia, um auxiliar precioso nas decisões do programa das festas!
 
O primeiro voo foi Lisboa-Frankfurt, onde fizemos escala antes do voo de 12 horas até à capital japonesa. Desta vez não conhecia nenhum dos pilotos... foi pena... mas também não pode ser sempre...
 

 
 


A Catarina passou grande parte da viagem a estudar o plano de viagem (coisa que já deveria ter feito antes...)
Chegámos a Tóquio à hora de almoço do dia seguinte (9 horas de diferença horária com Lisboa).
O nosso hotel localizava-se em Ginza, a zona de comércio e luxo da cidade. Depois de umas voltas de reconhecimento com a Sachico, a nossa amiga japonesa, jantámos no Zauo, um restaurante onde primeiro se pescava o peixe que iríamos comer.
Optei por pescar uma lagostinha... Muito giro e muito bom!


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Quando a Chef assina: Obrigada mãe!

No Torel Palace em Lisboa, o restaurante Cave 23 continua a fazer o seu caminho.
À frente da cozinha está a Ana Moura, a minha filha mais velha. Visitamos o restaurante assiduamente para ir provando, apreciando, e algumas vezes desenhando, como foi o caso nesta quinta-feira de quase final de ano com um casal amigo.
Uma sinfonia de cores, formas, sabores, para os olhos, para o paladar. Um momento de prazer a triplicar: pela comida, pelo desenho, pela Ana!
 
Aproveito agora, junto com os desenhos, para fazer eu também a minha dedicatória:
Querida Ana
Bom 2017 cheio de sucesso, mas que sobretudo sejas muito feliz! 
Um grande beijinho
mãe
 

 







quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

a desenhar no cockpit do avião

Há dias que correm mesmo bem...
 
Durante os quatro dias na Holanda (em trabalho, mas com alguns momentos de lazer), dormimos sempre em cidades  diferentes: Roterdão, Leiden e Amesterdão.
Muito giras as diferenças entre cada uma: a primeira tem uma arquitectura moderna, pois foi quase toda destruída durante a segunda grande guerra e reconstruída posteriormente. Leiden, uma cidade mais pequena mas completamente preservada, onde inaugurei há dois anos uma ourivesaria com projecto meu. Amesterdão, que afinal é muito bonita (eu que dizia que não gostava...) e tem locais giros e gente gira. Também tem muito turista "javardo", como eu lhes chamo, mas não lhes dei importância desta vez.
 
Depois de uma manhã calmamente a "curtir" o Rijksmuseum, um museu maravilhoso com obras fantásticas, o regresso a Lisboa.
Nada de novo até aqui, a não ser que acabei por fazer a viagem no cockpit do avião, a desenhar e a conversar, e aterrei numa Lisboa iluminada pelo luar!
 
Tão simpáticos o Comandante João Palácio, que já era meu conhecido, e o co-piloto César Pereira, bem como a restante tripulação. Aprendi algumas coisas mas, e sobretudo, diverti-me imenso!
 
 



No Cais das Colunas

 
Um dia de sol aconchegante, um Cais das Colunas cheio de turistas que, como eu, captavam aquele momento, focavam o seu interesse na paisagem, na beleza dos monumentos envolventes.
À conversa com a Teresa Ruivo e também com uma turista francesa que por duas vezes se colou a nós!
Da segunda vez ela perguntou: Je vous dérange? ao que eu respondi que a mim não, mas que à minha amiga sim... Felizmente tinha o avião à uma hora e lá descolou...
Entretanto uns turistas atolaram-se no lodo, mas nós só já os vimos quando tinham sido salvos.
Muita coisa a acontecer ali mesmo ao lado e nós na nossa , a saborear mais uma óptima manhã de convívio e desenho!
 
 
 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

No Martim Moniz a olhar o castelo

 
Um fim de dia menos apressado que os outros, uma paragem para desenhar porque é isso mesmo que eu gosto, porque é isso mesmo que me faz bem!
 

 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Vamos desenhar com... Luís Frasco

 
As ruínas do Convento são Carmo são realmente um espaço fantástico para desenhar. Então com a companhia de outros sketchers e depois de uma apresentação do Luís Frasco, melhor ainda!
 
O tema lançado para desenhar foi: O detalhe, o todo, as palavras, a composição. 
 
Venham mais "Vamos Desenhar com.."!
 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

a desenhar com Inma Serrano e Miguel Herranz

 
Desenhos feitos no Workshop da Inma Serrano e do Miguel Herranz na casa Atelier Vieira da Silva.
 
Primeiro uma passagem na forma de desenhar de cada um deles durante a apresentação. Depois, no Jardim das Amoreiras, fomos desenhar troços, de pessoas, de objectos: uma composição, uma forma de contar uma história...Os meus desenhos. nada de especial, mas no final mais uma manhã muito bem passada e mais coisas que entraram!
 



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

em Madrid, na Plaza Mayor

Há histórias que são nossas e há outras, que não nossas, mas que interiorizamos, das quais nos apropriamos, e que passam a ser nossas também.
 
Em Madrid, após dois dias de chuva, finalmente o sol mesmo antes de regressar a Lisboa.
 
Fico sempre muito indecisa, onde parar, onde concentrar a minha energia e desenhar.
 
Lembrei-me das histórias do Nelson quando deu aulas de desenho aos reclusos na prisão, e que um deles lhe pediu para desenhar a Plaza Mayor. É mesmo aí que me apetece ir!
 
A Plaza Mayor é um dos centros energéticos da cidade, ponto de passagem e confluência de pessoas. Espanhóis, estrangeiros de todas as nacionalidades, vigaristas também de toda a espécie e feitio.
 
Enquanto o meu marido se deliciava a ver um desses vigaristas/mágicos, eu desenhei a parte estática e calma daquele local: a estátua equestre do Filipe III, impávido e sereno com tudo o que se passava à sua volta e um dos píncaros do edifício central da praça, a querer furar o céu!
 
E desenhar é isso mesmo, é contar sempre a nossa história, é o "aqui e agora"!
 





quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Paris em dois momentos

 
Dado que foi uma viagem de trabalho, só deu mesmo para dois desenhos, que foram feitos para reduzir a frustração de estar em Paris e não poder desenhar:
 
A almoçar no dia da chegada (o senhor do restaurante adorou, tirou fotografias do meu desenho)...
 


e junto ao rio Sena a olhar a icónica Torre Eiffel, antes de regressar a Lisboa, com os vendedores dos "selfies sticks" à minha volta...



terça-feira, 15 de novembro de 2016

Rota das Estrelas em Amarante

 
Amadeo de Souza Cardoso foi o tema de um jantar da Rota das Estrelas, que decorreu nas salas do museu com o seu nome em Amarante, cidade que o viu nascer.
Sete Chefs foram buscar inspiração em quadros do pintor, para criarem uma estética que, aliada aos sabores, proporcionou um jantar memorável. Até porque, no meio desses Chefs... estava a minha filha Ana! O prato dela interpretava o quadro "O parto da Viola", o quinto a contar do início na refeição. So proud!!
 

 









Fim-de-semana em Amarante

 
Amarante é uma bonita cidade banhada pelo rio Tâmega. Aproveitando o fim-de-semana por ali, o meu dia de sábado foi passado junto ao leito do rio, a beber a tranquilidade que a paisagem me transmitia. Os reflexos espelhados na água, as pessoas, os sons. As badaladas na Igreja iam-me fazendo ver que o tempo que parecia não passar e que eu queria que não passasse, caminhava também ele calmamente, mudando das luzes para as sombras, numa beleza que guardo na memória que este desenho me desperta. 
 
 

 


Domingo: "Não quero ir embora, quero ficar aqui, quero que o tempo páre!"




Junto à Igreja e Convento de São Gonçalo, uma panorâmica de quase 360º...