sexta-feira, 25 de abril de 2014

"O Espiritual no Desenho", Veneza



Veneza, a Leitura à chegada: A César o que é de César

Entendi que neste exercício deveria fazer algo que fosse meu: escolher um tema que gostasse, desenhado da forma que me era mais confortável, e que tivesse a ver comigo.

Já tinha visitado diversas vezes Veneza, e sempre me fascinaram as nesgas de edifícios que vemos ao atravessar as pontes, as ruas estreitas com as casas quase a tocarem-se, aquelas perspectivas sempre bonitas, sempre diferentes. Parei numa pequena ponte que tinha um recanto onde eu podia estar sentada no meu banquinho enquanto por trás de mim passava ininterruptamente uma multidão de pessoas. Ouvi todas as línguas do mundo, mas eu continuava noutro mundo, o meu, ali mesmo, calmamente a desenhar como se mais nada interessasse.




Durante o tempo que estive sentada ouvia também falar duma figueira. As pessoas paravam e comentavam que aquela figueira tocava o outro lado do canal. Fui fazendo o primeiro desenho e a minha curiosidade começou a ser aguçada. Quando me virei lá estava a dita figueira!


quinta-feira, 24 de abril de 2014

"O Espiritual no Desenho", na região do Veneto



É sempre com muita alegria que começo estes retiros, e com uma grande vontade de aproveitar bem o meu tempo: para desenhar, para conversar, para desligar de tudo o resto!

Asolo foi a primeira paragem durante a manhã, após uma viagem por entre as vinhas de Prosecco, um vinho típico desta região, parecido com o espumante.

Leitura: "O que nos enfraquece não é, de facto, a escassez, mas a sobreabundância; não é a indagação, mas a frugalidade de mil respostas fáceis que conflituam; não é a frugalidade, mas sim o desperdício. O que nos enfraquece é não termos escutado até ao fim o que está por detrás da fome e da sede, da nossa urgência e da nossa fadiga, do atordoamento, dos medos ou da abstenção."
José T. Mendonça

Desenhar o fundamental em Asolo, simplificando, usando pouca cor, foi o que tentei fazer: Os arcos sempre diferentes uns dos outros, a anarquia do traçado, a catedral e o quadro de Santa Maria Assunta, do pintor Lorenzo Lotto, a estrada que leva até à Villa Maser, uma das famosas villas de Palladio, o recorte das casas com a montanha ao fundo, alguns detalhes, a villa Freja, onde viveu uma famosa escritora inglesa Freja Stark. Um resumo numa página dupla.
Ainda deu para tomar calmamente um cappuccino com a Estela e o Luís.


 
 

Durante a tarde, em Treviso.

Leitura: Que eu veja Senhor

Quem não sabe é como quem não vê
Quem não entende não sabe construir

Foi um exercício difícil, mas muito interessante. Em grupos de dois (fiquei com o Filipe Pinto), tínhamos que desenhar algo escolhido pelo outro, sem nós estarmos a ver! Só desenhávamos através da descrição, só no fim podíamos ver.

Foi mesmo muito cansativo, tanto quando desenhei como quando descrevi. Confirmei que tenho mesmo muito pouca paciência tanto numa como noutra situação (o Filipe que diga...)!

É PRECISO DIZER SEMPRE AQUILO QUE SE VÊ, SOBRETUDO, E ISSO É O MAIS DIFÍCIL, É PRECISO VER SEMPRE AQUILO QUE SE VÊ.
Le Corbusier em "Entretien avec les étudiants des écolles d'architecture".


 
o meu desenho, e a seguir o Filipe e o seu desenho
 
 
 
 

"O Espiritual no Desenho", a chegada


 
"Sei in un Paese meraviglioso".

10 Abril 2014.
Após algumas horas de estrada desde o aeroporto de Milão, chegamos a Vittorio Veneto, uma cidade situada a poucos kilómetros a norte de Veneza. Ocupamos os nossos quartos na Missioni Consolata. Já conhecia a maior parte das pessoas do grupo, é bom o reencontro. O jantar espera-nos. Logo a seguir, o Mário dá início a mais um retiro de "O Espiritual no Desenho".

Leitura: Tu és o rei dos judeus?

Apresentação: Cada um escreve a história da sua vida, a forma como gostaria de ser recordado um dia mais tarde. Passamos o caderno à pessoa que está ao nosso lado, ela seleciona apenas algumas palavras que pensa serem a síntese de tudo o que escrevemos...

Eu, na visão da Teresa:

 
"Novembro 3 nasceu Fernanda. Apaixonada, gostaria tudo fosse belo. 3 filhas, são a sua maior criação. Arquitectura um caminho, mas verdadeiramente feliz a desenhar".

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Arte & Sal

 
 


Com vista para o mar, fica junto à praia de São Torpes, perto de Porto Covo. O Carlos recebe-nos sempre com simpatia e os seus óptimos petiscos!

domingo, 20 de abril de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Moma Grill



É o irmão mais novo do restaurante Moma da rua de São Nicolau. Fica no mesmo quarteirão, na rua dos Correeiros, em plena Baixa lisboeta. Ementa à base de grelhados, sempre com peixe fresco, bom ambiente e bom serviço. Gosto mesmo muito!




terça-feira, 15 de abril de 2014

O Chef


-O Chef está cá hoje?
-Ah, mas conhecem-no? da televisão? Não sei, vou ter que me informar.
Passado um pouco:
-O Chef está, mas está no escritório.
-Está bem, obrigado.
Passado mais um pouco:
-O Chef já está na cozinha
-Então pode perguntar ao Chef se nos prepara um menu? Ele que escolha o que achar interessante.
-Sim senhor, vou preguntar ao Chef.
Logo a seguir:
-O Chef diz que sim.
-Óptimo, obrigado. Os vinhos podem também ser propostos por ele, por favor.

Os empregados tomaram então um ar teatral, como se estivéssemos num restaurante com estrelas Michelin. Passámos a ser vistos por eles como pessoas importantes, talvez críticos gastronómicos...
Pão de milho, pão de sementes e azeite numa pequena taça, fizeram o seu papel durante algum tempo na mesa.
Tosta com queijo de cabra, pêra cozida, pedaços de tomate confitado foi a entrada que nos puseram à frente. Saboroso, mas nada surpreendente.
Depois veio o prato principal que nos foi apresentado, com grandes salamaleques, como "Arrozinho" de tamboril com gambas. Esta mania de acabar tudo em "inho" confesso que me aborrece. Estava saboroso mas normal, e ainda menos surpreendente que o prato anterior.
Arroz de tamboril em Lisboa, numa sexta-feira à noite, não era seguramente o que me estava a apetecer.
Tentei imaginar-me em Sesimbra, num dia de sol em frente ao mar...



segunda-feira, 14 de abril de 2014

Café Lisboa

 
Fica no Teatro Nacional de São Carlos. A decoração deste espaço (antigo restaurante do Teatro) é sumptuosa, com um toque de modernidade, transmite-nos conforto, e a história de um lugar com histórias. 
Os pratos aqui servidos, pelo Chef José Avillez, resultam numa sinfonia perfeita para os nossos sentidos!
 
 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

na antiga Fábrica de Pólvora


A seguir ao almoço visitámos a antiga Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços. Depois de uma primeira explicação, fomos até junto do sr. Francisco que estava há várias horas a pôr lenha para aquecer a água da caldeira.




E a máquina a vapor começou a funcionar!




As ferramentas, feitas num tempo em que havia tempo as tornar mais do que simples objectos utilitários.




No final, um desenho da Central Geradora, numa perspectiva sugerida pelo Luís Ançã. O tanque à frente do edifício era o tanque de arrefecimento.
Mais um dia muito bem passado com amigos que partilham do mesmo gosto, desenhar!


quarta-feira, 9 de abril de 2014

no Moinho de Maré de Corroios



Mais um óptimo encontro dos USKP, no passado sábado. Nem o nevoeiro nem a chuva miudinha impediram as pessoas de se reunir. Começou no Moinho de Maré, em Corroios. Cheguei atrasada, mas ainda consegui ouvir toda a explicação acerca do local. No primeiro andar estava patente uma exposição de desenhos. Gostei muito de conhecer, e confesso que me apetecia imenso desenhar!

 
 
 
Na sala de moagem,
 




Cá fora, um desenho rápido antes de irmos todos almoçar.


 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

na Praça das Flores


Muito bom tudo o que provámos no novo restaurante familiar do Chef Miguel Castro Silva, o "de Castro", na Praça das Flores em Lisboa. O genro está à frente da cozinha, e uma das filhas na sala. Comida portuguesa muito bem confeccionada e apresentada. No final pedi ao Miguel que me fizesse uma dedicatória junto aos meus desenhos.
Gostámos muito, esperamos voltar em breve!






um sábado em Lisboa


Comecei o dia com uma massagem de fisioterapia, não sem antes ter ido ao supermercado fazer as compras da semana. Embora ir ao supermercado seja uma obrigação, eu gosto de tudo o que seja comprar! Depois, sem horas definidas porque estava sozinha em casa, apeteceu-me e fui comer uma "Caesar Salad" no bar do Ritz, onde encontrei um amigo que fazia anos. Gostei de estar à conversa com ele. Ao jantar já tive companhia para jantar no Ibo, restaurante de comida moçambicana que adoro e recomendo!






quarta-feira, 2 de abril de 2014

Em Basileia, as flores



Baselworld é a nível mundial a mais importante feira do sector dos Relógios e das Jóias. Aconteceu durante a passada semana na cidade Suíça de Basileia.
Há muitos anos que a visito, tenho visto ao longo dos anos a evolução das marcas, dos produtos, da arquitectura dos stands. É uma feira cosmopolita, um momento de contacto com produtos de grande luxo, de grande beleza, com pessoas de todo o mundo. As flores são presença constante. Foquei-me nestes jarros numa breve pausa no meu trabalho.



segunda-feira, 24 de março de 2014

a almoçar no Zé Inácio


 
Não sei se ele se apercebeu que eu o estava a desenhar...
 


                                                                                                                                   Março 2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

terça-feira, 18 de março de 2014

Na nossa cantina


Na nossa cantina, ou melhor, no Locanda, um restaurante italiano que fica perto do escritório e que frequentamos assiduamente. Domingo à hora do almoço, há mais tempo e calma para apreciar a comida e a companhia. Várias grupos de famílias, e sempre a mesma tentativa minha de adivinhar os parentescos. Às vezes é fácil, outras nem por isso... Enquanto isso vou desenhando, desta vez as pessoas. Aqui é menos complicado porque estão paradas e concentradas em tudo menos na minha pessoa.


 
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Umai e pincel novo

 
 

Feliz com o meu novo pincel espatulado! Com ele completei a aguarela no desenho das vieiras coradas com espuma de caril indiano, um dos pratos do Chef Paulo Morais, no Umai no Chiado. Deliciosas as vieiras e tudo o mais que provámos!

quarta-feira, 12 de março de 2014

Citrus Symphony II




Fortaleza do Guincho. Um jantar, uma sinfonia de sabores. Chef Vicent Farges, o maestro, os instrumentos os citrinos harmoniosamente associados a mil e um sabores, cores e formas, texturas.

Citrinos que crescem no Alentejo, no Lugar do Olhar Feliz, pela mão de um casal franco-canadiano, Ann e Jean-Paul Brigand. Há muitos anos a habitar no nosso país, para onde vieram, segundo eles, em busca de uma vida mais calma. Produzem cerca de 200 variedades de citrinos: Cimboa, yuzu, cédrat mão de buda, combava, nomes até à pouco desconhecidos dos Chefs de cozinha ocidentais.

Mas é como investigadores e colecionadores que gostam de ser vistos, o pomar para eles "é um laboratório de investigação". Posso dizer que gostei de fazer parte desta experiência!











                                                                                                                       Jan 2014

segunda-feira, 10 de março de 2014

Perto e Longe


Um dos desafios propostos num Encontro de Urban Sketchers, era dar a noção de Perto e Longe.
Eis a minha abordagem. Duas espessuras de traço, duas cores, dois planos.





                                                                                                
                                                                                                             Lisboa, 14 Setembro 2013

quinta-feira, 6 de março de 2014

Auschwitz, um aviso para a Humanidade



Quase três horas de viagem de carro separam Lódz de Auschwitz, em polaco Oswiecim.
Às 10h30 começava a primeira visita do dia (com guia em inglês) a Auschwitz I, um dos três campos que fazem parte do Campo de concentração de Auschwitz.
Entramos pelo portão principal, emoldurado pela frase ARBEIT MACHT FREI, famosa pela má razão. Sentimos o seu peso. Visitamos os vários edifícios onde fotografias antigas, uma quantidade infinita de objectos de uso pessoal, óculos, sapatos, malas, roupas de criança, cabelo que era cortado depois de morrerem nas câmaras de gás, contam e ilustram o horror que já conhecemos mas que sentimos ainda mais ao nos ser descrito pela nossa guia, no local onde tudo isto aconteceu. Quando entramos numa das câmaras de gás pedem-nos silêncio.








Visitar a prisão dentro do Campo, ouvir as torturas que eram infligidas aos prisioneiros, foi também um momento que me impressionou. Desenhei as grades de uma cela. A beleza no horror.


Após duas horas de visita, um autocarro transporta-nos para Auschwitz II, Birkenau, o segundo Campo construído pelos Nazis nesta cidade polaca. É muito maior que o primeiro, as casas mais parecem estábulos. A visão das pessoas a chegar nos comboios é bem clara quando paramos na plataforma entre os carris, estação terminal dos milhares de prisioneiros de toda a Europa. Uma carruagem desse tempo, faz-nos imaginar como seria.






 

Auschwitz foi o maior Campo de concentração e extermínio Nazi. Entre 1940 e 1945 cerca de 1.300.000 pessoas, das quais 1.100.000 judeus, 140.000 polacos, 23.000 ciganos vindos de Roma, 15.000 prisioneiros de guerra russos e 25.000 de outras etnias.
Ao chegarem, 75% iam directamente para as câmaras de gás. Os que ficavam vivos eram registados, davam-lhes um número, deixavam de ter nome. Depois era a fome, os maus tratos e humilhações, os trabalhos forçados, o frio dos invernos rigorosos, as doenças. Eram feitos escravos, todos os direitos humanos básicos lhes eram negados, só estavam ali para morrer. Em Auschwitz as câmaras de gás chegaram a matar 10.000 pessoas por dia! É difícil entender como tudo isto foi possível.





Auschwitz não deixa ninguém indiferente, sei que me vai ficar gravado para sempre na memória.
No mausoléu dedicado às vítimas do holocausto pode ler-se:

FOR EVER LET THIS PLACE BE
A CRY OF DESPAIR
AND A WARNING TO HUMANITY
WHERE THE NAZIS MURDERED
ABOUT ONE AND A HALF MILLION
MEN, WOMEN AND CHILDREN
MAINLY JEWS
FROM VARIOUS COUNTRIES 
OF EUROPE
 
AUSCHWITZ  BIRKENAU
1940-1945